Metanalysis S01E02 – Março de 2020

Publicado por Álvaro França em

Saudações jogadores!

Dando prosseguimento a nossa série, trago a vocês hoje a análise do metagame do mês de março de 2020! Se vocês não leram ainda a análise de janeiro e fevereiro, confiram aqui!

Esse mês foi marcado, no ponto de vista da economia e da saúde, pela disseminação do coronavirus no nosso país e no mundo. Uma das medidas preventivas para o controle do contágio, na maioria dos países, foi a mudança nos hábitos sociais e a necessidade de se permanecer em casa para evitar a formação de aglomerações nas ruas e estabelecimentos comerciais. Houve ainda a implementação do “home office” na maioria das empresas, e ainda, a necessidade da quarentena para as pessoas que estivessem contaminadas ou com suspeita do contágio. Todos esses fatores levaram aos jogadores a optarem por eventos online, uma vez que a maioria das lojas cancelaram seus eventos presenciais. Até o Magic Fest São Paulo (e outros pelo mundo) foi cancelado, visando também o controle da disseminação da doença. De fato é uma epidemia, séria e grave, mas o aumento da popularidade dos eventos online nos levou a eventos com maior número de jogadores e dados mais diversificados. O mês de março então passa a apresentar eventos com resultados mais voláteis e campeões mais inusitados. Vamos às análises!

Março de 2020

Em fevereiro, vimos que a dominância do Tron no formato não durou muito tempo. Como resposta, o metagame evoluiu para um estado mais focado em midranges azuis que abusam do Tempo, como UR Skred e UB Next level Drops. Vimos também alguns aggros mais rápidos comendo pelas beiradas como Affinity e Stompy, buscando equalizar as forças com esses midranges. E claro, tínhamos também o Tron, que apesar de ter deixado seu posto de arquétipo mais presente, ficou em segundo lugar.

No mês de março, seguindo o comportamento de fevereiro, inicialmente vimos a presença de um grande número de UR Skreds, que seguiam amedrontando boa parte dos Trons do metagame e mantendo o formato praticamente limpo de arquétipos controle. Mas no decorrer do mês, as coisas mudaram um pouco. 

Com a permanência de UR Skreds e UB Next Level Drops em bom número nos eventos, os jogadores passaram a optar novamente por listas mais rápidas e com planos de jogo mais lineares. Inicialmente, tivemos o Elves, que já apontava uma alta no número no mês de fevereiro mas ainda não se destacava como um dos arquétipos mais presentes, ocupando posições de arquétipo mais jogado e ainda conseguindo posição de Top 8 no Challenge do dia 08/03, ficando em 6º lugar nas mãos do piloto Krovax_NRG. Esse evento em específico precisa de uma atenção mais detalhada, que nós vamos dar agora!

No Heavy Meta 27, comentei com o Fernando Portelada, host do programa, a forma como o número de cópias do mesmo arquétipo no evento pode influenciar no resultado. Nesse evento em específico, Elves foi o arquétipo mais jogado, contanto com 7 cópias dentre os 66 participantes, o que totaliza cerca de 11% do evento. O arquétipo UR Skred teve a mesma quantidade de cópias, e também ocupou uma posição no top 8, ficando em 7º lugar nas mãos do piloto darius89. Podemos com isso inferir, sem claro tirar o mérito de ambos os jogadores que pilotaram as listas e chegaram até os melhores, pois claro, se ambos fossem jogadores sem boas habilidades não teriam conseguido chegar até lá, que o bom posicionamento das listas em ambos os casos se dá mais pela quantidade do que pela qualidade do arquétipo. Ambos são bons arquétipo, e merecem respeito no metagame, principalmente Elves que é um aggro difícil de pilotar e apresenta ainda mais dificuldade no MOL pela quantidade de permanentes e draws que pode conjurar em um único turno, mas nesse caso em específico a quantidade pode influenciar muito no resultado. Analisando um caso hipotético mais esdrúxulo, imagine um evento de 60 jogadores onde 30 joguem, por exemplo, com Tron. Seria estranho ver 2 ou 3 cópias no top 8? Estatisticamente não. 

Nisso, surgem questionamentos como “Mas Álvaro, se as listas não fossem boas, elas não seriam tão escolhidas assim”, e isso faz sentido quando imaginamos que a qualidade da lista é a única coisa avaliada na escolha dela para se jogar um evento, o que não é verdade. Uma lista pode ser POTENCIALMENTE muito boa, mas, quando analisamos um metagame como um todo, ser boa ou não é relativo. Ambas as listas no caso, em um metagame infestado por Monoblack Midranges e BW Pestilências, não seriam tão efetivas. Se olharmos com atenção, pelo menos metade do total de cada arquétipo teve resultados ruins no evento, com mais derrotas que vitórias. Mas, com muitas cópias do mesmo arquétipo, a chance de que pelo menos um jogue mais matchs mais favoráveis ou com oponentes menos habilidosos, aumenta bastante. Assim, infere-se, novamente respeitando a capacidade de cada piloto em chegar às posições que chegaram, que a quantidade de cada um desses arquétipos no evento influenciou bastante em seu resultado.

A contrapartida também é válida, e tivemos um caso exemplo para explorar. Neste mesmo evento, tivemos dois Affinitys presentes no top 8. A questão aqui é que em todo o evento tivemos apenas 3 cópias deste arquétipo, o que representa apenas cerca de 5% do evento inteiro, contra os 22% ocupados pelos outros dois arquétipos. Isso mostra com mais clareza a efetividade do arquétipo frente ao metagame deste evento. Mesmo em menor número, duas cópias se colocaram no top 8. Logo, a chance de que ocorram ocasiões onde o partida seja favorável pro arquétipo, ou o oponente seja menos habilidoso, diminui. 

Sorte e Regressão à Média – Capital Digital

Na mesma edição do Heavy Meta que citei, comentei ainda que existe um efeito probabilístico muito presente em nossas vidas que muitas vezes negligenciamos mas que influi muito no dia a dia de muitas áreas, que é a regressão à média. Esse efeito dita que, se algo tende a ir muito bem e ocasionalmente vai muito mal, a tendência é que em em eventos futuros, vá bem novamente. O mesmo vale para a recíproca, se algo tende a ir muito mal e em dado momento vai muito bem, a tendência é que volte a ir mal em eventos futuros. Claro que existe uma mudança de viés que pode ser ocasionada por uma mudança nas condições iniciais, como acontece com o mercado de ações por exemplo onde as ações de uma empresa estão indo muito bem, mas eventos externos fazem com que ela passe a ir muito mal da noite para o dia (como a empresa dona das ações ir a falência, por exemplo), mas isso não se aplica no nosso caso e são temas para serem abordados em futuros projetos do nosso blog (fique ligado!). Aqui, vamos nos atentar apenas ao eventos de regressão à média pura e crua. O arquétipo Elves vinha galgando posições e escolhas mais concentradas dos jogadores, mas, não vinha apresentando resultados muito consistentes. Nesse evento, houve uma mudança de tendência e o arquétipo se colocou bem. E aí, considerando as condições iniciais dadas (metagame, resultados, quantidade de cópias do arquétipo no evento e etc), qual a tendência do resultado desse arquétipos em eventos futuros? Quem disse “voltar a apresentar resultados medianos” acertou! No Challenge do da semana seguinte, dia 15/03, tivemos um total de 12 Elves no evento como um todo, que também contou com um maior número de inscritos, chegando a 94, mas que deu então ao Elves uma fatia de cerca de 13% do evento, que é mais do que o evento da semana anterior. E, como esperávamos, absolutamente nenhum chegou até o top 8. Pelo contrário, apenas um teve bom resultado no evento inteiro, e o mesmo piloto que ficou em 6º lugar na semana anterior, fez um resultado de 3 vitórias e 4 derrotas, o deixando em posições bem ruins nessa semana. Essa é a regressão à média em prática, mostrando que em dado número de eventos, mantendo-se condições iniciais em mesma ordem, a tendência é que sempre caminhemos próximo a média. 

Dito isso me questionaram “Mas Álvaro, as condições iniciais mudaram! O evento mudou, os arquétipos mudaram, os pilotos mudaram!”, e sim, isso é verdade! Mas, quando digo “condições iniciais em mesma ordem”, me refiro ao somatório de todos os eventos que interferem na média de um outro evento. A probabilidade trabalha com estimativa, que é nada mais do que uma consideração aproximada do que realmente acontece. Sabemos que, jogando um dado, a chance de se tirar a face com o número 1 é de ⅙. Mas, porque se jogarmos o dado 6 vezes, podemos não ver cada face pelo menos 1 vez? Porque a probabilidade é uma aproximação! Quando dizemos que a chance é de ⅙ de vermos o número 1, estamos dizendo que, considerando a resistência do ar, o suor na mão do indivíduo que arremessou o dado, a força com que foi arremessado, as condições de temperatura, pressão, peso do dado e etc, e somando todos esses efeitos, uns irão tender o dado para um lado, outros para o outro, e então, aproximadamente, a soma das influências é zero. Sabemos que não é, que tudo isso pode influir de diferentes maneiras no resultado, mas aproximadamente consideramos que os eventos fortuitos se anulam e que a chance de que vejamos o número 1 em um arremesso é de ⅙. O mesmo ocorre aqui em nosso jogo. Existem vários eventos de diversas escalas que influem no resultado de uma partida de Magic. O oponente com quem se joga, se o mesmo teve uma indigestão no dia e não estava bem disposto, se as condições de internet eram boas ( no caso do Magic Online), se o piloto não estava em uma crise existencial no dia e por isso estava disperso, ou se tomou mais de um gole de café e por isso estava mais ativo. São eventos fortuitos que, somados, nos dão algo próximo de zero, levando as condições de jogo serem muito mais voltadas para contra qual arquétipo o piloto jogou, suas habilidades e etc. Então, tenham em mente que, quando digo que mantivemos “condições iniciais em mesma ordem” é a isso que me refiro. 

O Andar do Bêbado - Como o Acaso Determina Nossas Vidas - Saraiva
Livro O Andar do Bêbado, Leonard Mlodinow

Todos esses conceitos eu tirei de anos de estudo de probabilidade e estatística, e da leitura de um livro chamado “O Andar do Bêbado”, do Leonard Mlodinow. Indico a leitura para quem tem interesse nessa área, é uma porta de entrada muito boa para quem quer entender melhor a forma como a probabilidade e a estatística influenciam em nossas vidas.

Voltando aos eventos, o do dia 15/03 teve então o Elves como arquétipo mais escolhido na intenção de combater os midranges azuis, seguido respectivamente do UR Skred, do Tron e do Affinity. Reparem que o UR Skred mantem ali a sua presença, deixando o Tron sempre em xeque. Ambos inclusive tiveram 10 cópias cada no evento. Isso é importante pois nos mostra que o Tron ainda é um deck muito poderoso, e o controle de sua permanência no metagame se dá justamente pelos seus predadores, que no caso, é o UR Skred. Quando vejo muitos jogadores pedindo banimento do Mystic Sanctuary, é exatamente nisso que eu penso. Banindo esta carta, os arquétipos midrange com azul vão cair muito em uso e, novamente, veremos o Tron como principal predador do formato. Só é necessária a atenção para que não saia do controle, como aconteceu com o pombos no Brasil. Os pombos foram trazidos para o Brasil bem no início, com a intenção de controlar a proliferação de insetos e enfeitar as cidades que a monarquia portuguesa queria que fossem parecidas com as da europa. Não demorou muito para que a solução, que eram os pombos, virassem o problema e se tornassem uma praga urbana presente na maior parte do país. Queremos sim controlar a presença do Tron, mas não podemos fazer disso um motivador para criar outra dor de cabeça no formato. Não podemos banir sem pensar no futuro do formato, como sempre digo e repito em todas as minhas conversas sobre banimentos, mas também precisamos estar atentos a potenciais descontroles de outros arquétipos. Por hora, o UR Skred está bem controlado, assim como seus primos UB Next Level Drops e MonoU Delver. Desempenha papel importante com resultados eficazes, e é isso, sem banimentos galera!

CARTA [Pioneira do Bando de Lagonna / Lagonna-Band Trailblazer ...
Bogle Escorregadio / Slippery Bogle | Busca de Cards | LigaMagic

Nesse evento, tivemos a surpresa de ver um Monowhite Heroic sendo campeão! Surpresa relativa, na verdade, pois esperávamos realmente que, com o aumento de midranges azuis, aggros mais rápidos como Elves, Affinity e Burn ganhassem a escolha dos jogadores, pois arquétipos que fazem mais de uma mágica por turno tendem a ter matchs mais favoráveis contra variantes azuis, que conseguem em média ter 1 ou 2 respostas no máximo por turno. Mas o arquétipo campeão é um que não vemos a muito tempo em boas posições. Aparece eventualmente em ligas fazendo 5-0’s, mas não apresenta consistência em seus resultados. Muito se dá, provavelmente, por ser encarado como o “primo feio” do GW Auras, que apresenta resultados muito mais consistentes (principalmente do nosso amigo Gustavo REPTILIUM_, que mostrou as caras nas ligas de março fazendo 5-0 de GW Auras!). Mas, ainda assim, o resultado chegou e o arquétipo foi campeão, entrando no top 8 com apenas duas derrotas e finalizando o evento com 8 vitórias e 2 derrotas! Porém, um arquétipo que a muito não aparecia bem colocado sendo campeão, nos entrega o cheiro de….? Isso mesmo, regressão à média mais uma vez! Será que realmente o arquétipo que vinha tendo resultados ruins regressaria à sua média após um resultado de campeão de um evento de quase 100 pessoas?

No evento do dia 22/03, tivemos então outro aggro veloz como campeão. Estou falando do Stompy, que vinha “comendo pelas beiradas”, assim como os Boros Monarch/Bully (que citarei mais adiante). E, confirmando nossas teorias, tivemos um total de zero cópias de Monowhite Heroic no top 8. De fato, o arquétipo sequer chegou ao top 16. Sua melhor posição foi a 33ª, não ficando nem no top 32. O número de cópias presente do arquétipo no evento mais que dobrou, indo de 3 cópias no evento anterior para 7 no evento do dia 22/03, mas assim como ocorreu com Elves e UR Skred, não chegou a boas posições. É a regressão à média em ação novamente!

Falcão do Esquadrão / Squadron Hawk | Busca de Cards | LigaMagic

Ainda no mesmo evento, conforme comentado, tivemos a grande incidência de outro arquétipo que vinha tentando galgar boas posições, e inclusive, vinha já mostrando bom desempenho das ligas durante todo o mês de março (principalmente na mão do BR Igor Coelho, o Alleyezonme), o Boros Bully. Nesse evento em específico, o arquétipo conseguiu galgar a terceira posição do Top 8, e durante o mês, conseguiu ainda mais uma posição em Top 8, no evento do dia 01/03/2020 em quinto lugar, e no evento do dia 15/03/2020 em terceiro lugar também. No evento do dia 22/03/2020 chegou a ocupar a posição de arquétipo mais presente, alcançando a faixa de 11 cópias no evento, preenchendo a fatia de 12%, próximo da fatia ocupada pelo Stompy no evento do dia 15/03/2020. Seu irmão, Boros Monarch, também veio apresentando boas colocações durante todo o mês de março. Apesar de não ter ocupado uma parcela grande neste evento, chegou ao Top 8 e cravou a posição de 7º Lugar. O movimento desses dois arquétipos também é natural, visto o aumento nos arquétipos UR Skred, MonoU Delver e UB Next Level Drops. Apesar de apresentarem estratégias de jogo diferentes, ambos os Boros apresentam uma forma muito similar de lidar com esses arquétipos, e podem ser considerados predadores seus predadores naturais no metagame. 

CARTA [Esquiva-Fosso de Skarrgan / Skarrgan Pit-Skulk] - MAGIC THE ...

Voltando ao campeão Stompy, tivemos na verdade três cópias desse arquétipo no Top 8, ocupando o primeiro, quarto e sexto lugar. Apesar de não ter sido o arquétipo mais jogado do evento, ficou em terceiro, logo atrás do já citado Boros Bully, e do segundo lugar, Burn. O Stompy ocupou a fatia de 9% do evento, com 8 cópias dentre os 93 inscritos.


O que esperar de um evento posterior a outro com uma grande incidência de Stompys e Boros Bully? Se você pensou no retorno do Tron, está correto! Na verdade, comecei a escrever esse artigo uma semana antes do último Challenge do mês, e, após analisar os resultados do evento do dia 22/03/2020, tive que confidencializar ao Fernando Portelada do Heavy Meta em privado, que esperava um evento com mais Trons no dia 29, e cá estamos nós! No evento do dia 29/03/2020 tivemos como campeão novamente o Tron! O Top 8 como um todo foi bem diversificado, mas o Tron mostrou que ainda é um arquétipo a se temer, finalizando o suíço com apenas uma derrota e conseguindo a primeira posição no Top 8.

Stonehorn Dignitary · Magic 2012 (M12) #37 · Scryfall Magic: The ...

Neste evento ainda, o Tron mostrou grande presença, sendo o arquétipo mais jogado com 13 cópias dentre os 102 inscritos, ocupando a parcela de aproximadamente 13% do evento, seguido do Burn com 13% e do Affinity com 10%. O Burn em específico sempre mostra boas parcelas de escolha nos eventos como um todo, mas dificilmente chega a boa posições, e quando chega, deve-se bem mais a grande quantidade do arquétipo no evento do que pela sua qualidade em si, como já citamos anteriormente. O Burn é um arquétipo potente, e temido pela maioria dos jogadores, e isso faz com que praticamente todos os arquétipos tenham boas respostas a ele, em sideboard e algumas vezes até em main deck. Isso faz com que o Burn encaixe-se na classificação de “Glass Cannon”, que são arquétipos de estratégia muito linear e sem muitas camadas que conseguem finalizar o jogo muito facilmente se a sua estratégia não for contrariada, mas uma vez interceptada, dificilmente conseguem se recuperar.

Enfim, vamos aos números finais do mês e março!

Resultados Referentes aos Challenges e Showcases do MOL [1]

Sendo:
*Arquétipo: Nome dado ao arquétipo analisado
*Qtd: Quantidade presente do arquétipo nos eventos analisados
*W: Quantidade de vitórias do arquétipo nos eventos analisados
*L: Quantidade de derrotas do arquétipo nos eventos analisados
*%W: Percentual de vitória do arquétipo nos eventos analisados (W/(W+L))
*%W_Smooth: Percentual REAL de vitória do arquétipo nos eventos analisados, corrigido com Additive Smoothing
*Qtd(%): Quantidade presente do arquétipo nos eventos analisados, em percentual
*Top8s: Quantidade de vagas no top 8 ocupadas pelo arquétipo nos eventos analisados
*Campeão: Quantidade de vezes em que o arquétipo analisado foi campeão no eventos analisados

Finalizamos o mês de março, novamente, com o Tron sendo o deck mais utilizado do formato. De forma resumida, a ascensão do Tron em janeiro fez com que em fevereiro houvesse uma procura maior de arquétipos que pudessem lidar bem com os jogos contra esse arquétipo, o que fez com que os midranges azuis subissem em números, principalmente o UR Skred. Por sua vez, com UR Skred em alta, arquétipos com boas estratégias contra ele voltaram a subir, dando espaço a Boros Bully/Monarch, Stompys, Affinitys e até Burns, que apesar de ter baixo percentual de vitórias, ajudam no controle do metagame de arquétipos potentes como Elves e GW Auras. Novamente, seguindo o ciclo, o aumento nos arquétipos Boros e Stompys leva o metagame a voltar ao Tron como escolha sábia para lidar com suas presas naturais. 

Do ponto de vista da qualidade dos decks frente ao metagame, vemos que os arquétipos com maior percentual de vitória (nisso, cito o %W_Smooth) foram o Tron e o Stompy, com respectivamente 55% e 56%. Esse último apresentou um percentual ligeiramente maior devida a inatividade do Tron na primeira quinzena do mês, mas já mostrava o mesmo número no mês anterior também. Isso mostra que o Stompy é de fato um arquétipo poderoso no metagame e deve continuar mostrando bons número no próximo mês.

Outro arquétipo que teve um bom percentual de vitórias mas não apareceu no Top 10 dos arquétipo mais presentes, foi o UW Familiars, com 55%, o mesmo do Tron. Esse é um arquétipo um tanto “sazonal”, na presença de muitos Boros e Stompys, e até Trons, ele consegue bons resultados. Mas, por ser um arquétipo do tipo combo, acaba sofrendo para os midranges azuis e outros controles do formato como o BW Pestilence. Os combos no Pauper, de maneira geral, tendem a ter um potencial menor, mas o UW Familiars não pode e nem deve ser subestimado. Sua potência é clara, em suas poucas aparições, sempre mostra bom desempenho.

Por fim, vamos apenas pontual que, dos 10 arquétipos mais utilizados no mês de março, três conseguiram uma das quatro vagas de primeiro colocado em eventos do mês, e com exceção do UR Skred e do Elves, todos tiveram pelo menos três aparições em Top 8.

Spotlights Março/20

Infelizmente, nenhum dos arquétipos diferenciados no mês de fevereiro mostraram constância nos resultados. Pessoalmente, venho testando o MonoG Walls Combo em eventos menores e tenho tido bons resultados, mas imagino que em eventos maiores, o aumento da variância dos arquétipos dificulte a constância dos resultados. Além disso, no MOL, pilotar combos tende a ser um pouco problemático, devido a grande quantidade de ações tomadas em um mesmo turno. Além disso, é bastante cansativo. Talvez em jogos tabletop onde você tem liberdade de apenas explicar o combo ao seu oponente e mostrar uma Win Condition para finalizar o jogo, seja mais vantagem.

Atogue / Atog | Busca de Cards | LigaMagic

Uma boa menção do mês de março, foi uma lista que apareceu no evento do dia 08/03 e alcançou o quarto lugar do Challenge, intitulada Ephemeratog. A lista buscava uma estratégia entre o Atogshift, o Affinity e o Jeskai Blink. Utilizava de criaturas com bons efeitos de ETB como Mulldrifter em interação com  Ephemerate, e uma interação entre os terrenos artefatos, artefatos de custo baixo como Chromatic Star e Springleaf Drum, e Atog + Fling. É uma espécie de midrange com um combo como kill condition alternativa. Infelizmente, o arquétipo não fez resultados após esse evento e sequer teve presença. Muitos dos arquétipos “novos” que se incluem no metagame passam por esse processo, aparecem uma vez e ganham partidas mais apoiados no fato do oponente não entender o seu plano de jogo do que em qualidade. O problema dessa estratégia é que ela só funciona uma vez, e por isso, esses arquétipos acabam não voltando mais. 

Expectativas para Abril/20

Para Abril de 2020 estou apostando na repetição do ciclo que analisamos até aqui. Com a alta do Tron no evento do dia 29/03/2020, é provável que UR Skred e variantes azuis voltem com mais força no evento 05/04/2020, se estendendo talvez até a o evento do dia 12/04/2020 e dividindo espaço com Boros, em especial o Bully que vem mostrando melhores resultados. Com isso, Stompys e outros aggros mais rápidos como Monowhite Heroic, Affinity e GW Auras devem aparecer novamente, finalizando novamente o mês com algo entre mais UR SKred e mais Trons. 

E aí, concorda? Deixe seus comentários aqui ou no Facebook!

Enfim é isso, o mês de março foi marcado por eventos maiores e talvez uma retomada do Tron as paradas! Todas as listas citadas estão nos links postados semanalmente na nossa página no Facebook! Nos vemos no próximo artigo!

Até breve!

Fontes

[1] Dados retirados do Challenge Project.


Álvaro França

Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal Fluminense, trabalha como cientista de dados no mercado de energia e joga Magic:The Gathering desde 1998, com ênfase no formato Pauper desde 2009. Aventurou-se em vários card games e demais jogos de estratégia durante a vida e acumulou largo conhecimento na teoria e prática desse tipo de jogo.

1 comentário

Metanalysis S01E03 – Abril de 2020 · maio 5, 2020 às 16:10

[…] Seguimos em mais um mês de quarentena com muito Pauper (e com muito trabalho para os que estão de home office como eu :P)! Daremos prosseguimento a nossa série de artigos analisando o metagame do Magic Online (MOL). Se você ainda não leu os artigos anteriores, dê uma olhada aqui! […]

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