Baniu, e agora? VOL. 2

Publicado por Álvaro França em

Baniu, e agora?

Saudações jogadores!

Bem vindos a mais um artigo semanal do Mind Gears! Hoje, falaremos um pouco a respeito do impacto que a nova atualização da Banned and Restricted List pode causar no metagame do formato Pauper. Falaremos também sobre as prospecções de como o metagame deve se comportar a partir de hoje. Então, vamos lá!

O Anúncio

Primeiramente, abaixo, podemos ver quais cartas foram adicionadas a lista nesta segunda-feira, dia 13 de julho.

Anúncio de Atualização na Banned and Restricted List [1]

Conforme o esperado, o Tron foi um dos alvejados. De acordo com o texto publicado junto ao anúncio dos banimentos, a Wizards of the Coast (WotC) manteve atenção ao Tron desde a Blue Monday, esperando que o enfraquecimento dos midranges azuis colaborasse para uma subida exagerada na popularidade do Tron.  Apesar de não ter acontecido de imediato, e parte disso devido ao lançamento de Arcum’s Astrolabe, que elevou o arquétipo Jeskai Flicker, o Tron seguiu sendo bem quotado em popularidade e apresentando resultados consistentes. Chegou, inclusive, a ocupar 25% dos finalistas de eventos do Magic Online (dados da WotC, ainda não comprovados).

Avaliando o arquétipo em si e seus resultados, unidos a um “community feedback” a respeito de alguns “efeitos negativos” das temáticas anti-jogo, e jogadas recursivas e repetitivas, foi decidido que a carta Expedition Map estaria banida a partir desta data. O banimento foi feito, pensando-se em reduzir a consistência do Tron, e com isso, reduzir a sua popularidade e presença no metagame do Magic Online.

No mesmo texto, trouxeram ainda uma justificativa para o banimento de Mystic Sanctuary. A explicação foi praticamente a mesma do Tron em motivação. A carta estaria presente em muitos arquétipos do formato, sempre empregando mecânicas recursivas e de anti-jogo. Assim, Mystic Sanctuary também estará banido a partir desta data, com o intuito de reduzir o número de midranges azuis e aumentar a diversidade do formato. Essa foi também uma medida preventiva, já que, de acordo com a empresa, a carta tem potencial para continuar apresentando problemas no futuro.

Como podemos ver, jogadas recursivas e locks de fim de jogo não são mecânicas muito bem vistas pela empresa. Ouso dizer que também não são muito famosas entre a maioria dos jogadores do formato. Conforme pode ser visto na imagem ao lado com o resultado de uma pesquisa que realizei em nosso Instagram, uma boa parte da comunidade também almejava pelo banimento da carta Mystic Sanctuary.

Estando confirmados o banimentos, vamos falar um pouco mais detalhadamente a respeito dos seus impactos e de possíveis mudanças nos arquétipos afetados.


Impactos e Mudanças

A primeira pergunta que nos vem à mente quando vemos um banimento é: Os arquétipos estão mortos?

Opinião pessoal: Imagino que não. Apesar de, historicamente, a WotC ser menos cirúrgica em seus banimentos e optar mais pelo extermínio de um arquétipo do que pelo seu enfraquecimento, acredito que desta vez temos algumas possibilidades para de substituição que farão os afetados viverem por mais tempo.


O Tron

Expedition Map | Mapa da Expedição - Magic: the Gathering mtg

Conforme citado, o principal objetivo do banimento do Expedition Map é a redução da consistência do arquétipo. Na ausência da carta, podemos esperar um Tron que demora mais turnos para conseguir fechar o seu kit. Isso faz com que aggros mais rápidos como Stompy e Affinity tenham mais chances de ganhar essa partida enquanto o Tron ainda busca pelos terrenos que ainda lhe faltam. No fim, voltamos a ter algo mais intuitivo, conforme citei no meu estudo de caso a respeito do Tron. Os aggros costumam ter vantagem sob os controles, e com essa mudança, podemos esperar um maior percentual de vitórias dos aggros contra o Tron.

Crop Rotation, an art print by Daniel Ljunggren - INPRNT

Sobre as mudanças que o arquétipo pode implementar, a comunidade já se movimentou bastante a respeito das possibilidades que o Tron tem até o momento para substituir a perda de Expedition Map. As primeiras opções que nos vem à mente, são as já utilizadas na lista aggro G-Tron. Cartas como Crop Rotation e Ancient Stirrings são ótimas alternativas e preenchem o espaço de uma carta de custo 1 no arquétipo. 

Temos ainda Reap and Sow que também possibilita a busca de terrenos, e no late game pode ser conjurado com o seu Entwine. Apesar disso, não acredito ser a melhor das opções disponíveis agora. Dessa forma, como o problema é de fato buscar algo que melhore a consistência do Tron no início do jogo, cartas com menor custo e maior probabilidade de serem conjuradas sem grandes manobras, tendem a ganhar mais espaço. 

Considerando as mudanças supracitadas, a lista do Tron teria que ter mais consistência na cor verde. Normalmente, até antes do banimento, o arquétipo tendia a ter acesso a todas as cores, sem focar com demasia em uma cor diferente do azul. Agora, caso alguma das opções que citei sejam escolhidas como a substituta do mapa, o arquétipo deverá alocar mudanças que o permitam gerar mana verde com mais facilidade. 

Thriving I.. | jmp: $6.97

Algumas listas já utilizam algumas cópias de Thornwood Falls, então, intuitivamente, utilizar mais cópias pode ser uma alternativa. Outra alternativa são as novas Thriving Lands. A Thriving Isle já está ficando popular novamente e sofrendo variações positivas em seu preço no Magic Online. Uma terceira opção seria parear os antigos sinetes junto ao Prophetic Prism para facilitar o encontro das cores corretas no momento correto, como o Simic Signet.

Voltando as opções, podemos encontrar em outra cor algumas alternativas também. A carta Impulse, que vem perdendo espaço recentemente mas viu bastante presença em meses passados, pode voltar a ocupar espaços na nova lista do arquétipo. Quem tem o costume de jogar com ou contra Tron, sabe que Impulse muitas vezes é uma carta de custo 2 que busca um terreno de Urza faltante. É uma mágica instantânea, o que te permite jogar no fim do turno ou em resposta a alguma mágica. É uma mágica azul, o que ajuda na construção dos terrenos do arquétipo, sem perder o foco na cor mais relevante. E também, tem um custo relativamente baixo, não tanto quanto o mapa, mas o suficiente para ser uma boa opção.

Preordain.. | mb1: $3.15

Outra boa opção de substituição seria uma cantrip azul de baixo custo, como por exemplo, Preordain. Encaixa no espaço de mesmo custo de mana convertido do mapa, consegue ser conjurada cedo e ajuda na construção do kit de Urza. Acaba também não sendo uma carta completamente morta no late game, visto que a vidência é sempre bem vinda em baralhos que utilizam muitas 1-off, ou poucas cópias de cartas que, contra certos arquétipos, são imprescindíveis (i.e: Moment’s Peace contra aggros).

Vamos mostrar abaixo algumas considerações probabilísticas com relação ao arquétipo antes e depois do banimento.

No geral, Expedition Map tende a ser uma carta “must have” nos primeiros turnos do jogo. Então, considerando que queremos que a carta esteja na nossa mão no primeiro turno de jogo, e que utilizamos quatro cópias da mesma, temos:

  • Chances Map Turn 1 (Play): ~0,3995 ou ~39,95% de chance.
  • Chances Map Turn 1 (Draw): ~0,4448 ou ~44,48% de chance.

Vamos desconsiderar aqui a possibilidade de mulligans, pois raramente um jogador executa um mulligan para encontrar um Expedition Map.

Agora, vejamos as chances relacionadas a utilização de Crop Rotation ou Ancient Stirrings. Consideramos que queremos, também, uma das duas em nossas mãos no primeiro turno e que utilizaremos quatro cópias de uma, ou quatro cópias de outra, teremos a mesma chance de obtenção do caso do Expedition Map, visto que o número de cópias é o mesmo, o tamanho da amostra (mão inicial) é o mesmo, e o tamanho da população (quantidade total de cartas no baralho) também é o mesmo.  Mas ambas são cartas verdes, e, no geral, o Tron não tem fontes de mana verde no primeiro turno. 

Assim, vamos ver quais seriam as nossas chances de obtenção de uma fonte de mana verde e da obtenção de uma das mágicas, até o segundo turno. Consideramos o segundo turno pois é neste turno que poderemos conjurar a mágica. Para isso, vamos fazer a consideração de oito cópias de fontes de mana verde (quatro Thriving Isle ou Thornwood Falls, e quatro Cave of Temptation). Essa quantidade pode mudar, e precisamos de tempo para analisar como as listas vão evoluir. Mas por hora, faremos essa consideração.

  • Chances Crop/Stirrings + Green Mana Source Turn 2 (Play): (0,4448) * (0,7059) = ~0,3139 ou ~31,39% de chance
  • Chances Crop/Stirrings + Green Mana Source Turn 2 (Draw): (0,4875) * (0,7511) = ~0,3661 ou ~36,61% de chance

Vemos que a queda nas chances quando comparadas ao caso do Expedition Map não é muito grande, mas deve-se ter atenção ao fato de que a jogada foi atrasada em um turno, ou seja, uma carta adicional, ao menos, foi comprada. 

Agora, caso consideremos ainda que, diferente do Crop Rotation, Ancient Stirrings não garante a obtenção do terreno necessário, podemos ainda calcular a chance de que tudo ocorra da melhor forma. Assim, considerando a mesma situação acima, e considerando ainda que o jogador já tenha dois dos terrenos de Urza em sua mão (que é a melhor situação com Expedition Map também), temos:

  • Chances Find Urza’s Land with Stirrings Turn 2 (Play): ~0,3411 = ~34,11% de chance
  • Chances Find Urza’s Land with Stirrings Turn 2 (Draw): ~0,3469 = ~34,69% de chance
  • Chances Stirrings + Green Mana Source + Find Urza’s Land Turn 2 (Play): (0,4448) * (0,7059)* (0,3411) = ~0,1071 ou ~10,71% de chance
  • Chances Stirrings + Green Mana Source + Find Urza’s Land Turn 2 (Draw): (0,4875) * (0,7511) * (0,3469) = ~0,1270 ou ~12,70% de chance

É, no caso do Stirrings, os números não são tão bons. No melhor dos casos, em média, apenas em 1,2/10 jogos, conseguiremos o melhor dos mundos. Com isso, percebe-se observando os dados, que Crop Rotation parece a melhor opção como substituta. Mas, quando pensamos que o formato ainda conta com anulações, sobretudo a carta Spellstutter Sprite, podemos repensar essa colocação ou, no mínimo, não jogar com o número máximo de cópias. O que nos levaria a necessidade de parear a carta com alguma outra cantrip azul. Vamos a análise!

Vamos considerar a carta Preordain. O caso de uso dessa carta recai, quase em mesma proporção, aos casos das cartas verdes. Precisamos ter uma fonte de mana azul e a carta na mão até, pelo menos, o segundo turno. Nisso, as chances são as mesmas, considerando-se é claro o uso do máximo de cópias de cada carta:

  • Chances Preordain + Blue Mana Source Turn 2 (Play): (0,4448) * (0,7059) = ~0,3139 ou ~31,39% de chance
  • Chances Preordain + Blue Mana Source Turn 2 (Draw): (0,4875) * (0,7511) = ~0,3661 ou ~36,61% de chance

Considerando agora que o Preordain pode ou não encontrar o terreno, teremos novos números. Vamos considerar, assim como no caso do Ancient Stirrings, que a carta só será conjurada no segundo turno, que a vidência permite antes da compra, jogar cartas para o fundo, e que o jogador já possui outras duas peças do kit de Urza na mão, o que justificaria a busca de uma peça em específico.

  • Chances Preordain + Find Urza’s Land Turn 2 (Play): 1-[(1-0,1493)*(1-0,08)] = ~0,2174 ou ~21,74%
  • Chances Preordain + Find Urza’s Land Turn 2 (Draw): 1-[(1-0,1521)*(1-0,082)] = ~0,2217 ou ~22,16%

Considerando agora todo o processo, desde as chances de obtenção das cartas, até a conjuração da mágica:

  • Chances Preordain + Blue Mana Source + Find Urza’s Land Turn 2 (Play): (0,3139) * (0,2174) = ~0,0696 ou ~6,96% de chance
  • Chances Preordain + Blue Mana Source + Find Urza’s Land Turn 2 (Draw): (0,3661) * (0,2217) = ~0,0812 ou ~8,12% de chance

Os número parecem bem baixos, principalmente quando comparado com o caso do Map. Mas a idéia por traz dessa demonstração é tentar parear as cartas de forma que a consistência não seja tão afetada. É difícil ter número similares ao do Map sem perder em alguma ponta, afinal, a carta já era uma staple da lista há bastante tempo. Mas, considerando as cartas que exibimos, é possível que a união do uso delas leve o Tron a um patamar de atraso de, aproximadamente, um turno. Há quem diga que mesmo um turno de atraso é muito relevante, e em alguns jogos realmente é. Mas acredito que não é o suficiente para que o arquétipo seja extinto, muito menos para que caia muito em popularidade. 

Um fato que não comentei, mas que precisa ser considerado também, é o cálculo da chance de se obter o kit de Urza sem o auxílio de outras cartas, ou seja, de forma natural. Resumidamente:

  • Chances Tron Natural Turn 3(Play): (0,4875) * (0,4875) * (0,4875) = ~0,1159 ou 11,59% de chance
  • Chances Tron Natural Turn 3(Draw): (0,5277) * (0,5277) * (0,5277) = ~0,1469 ou ~14,69% de chance
Tron Math Playmat – Inked Gaming

Esses número parecem baixos, mas quando somamos as chances (ocorrer um OU outro) com as do uso de Preordain ou Crop Rotation, chegamos a números na casa dos 30 a 40% de chance, que é suficientemente bom. Além disso, em 1,2/10 jogos ser possível ter o kit de Urza sem nenhum esforço, é bastante bom. Isso, sem ainda considerar o mulligan, que gera grande valor na obtenção dos terrenos de Urza de forma natural.


Variantes Ux e Familiars

Infelizmente pra mim (talvez felizmente para vocês :P), não temos muitos números a apresentar a respeito desses arquétipos. 

MinMax Vlog and Podcast! Mystic Sanctuary in Miracles — MinMax
[R.I.P.]

Todas a variantes Ux sofreram do mesmo mal: perderam a recursividade de [mtg_car]Mystic Sanctuary[/mtg_card] e acabaram por ter que recorrer a outros recursos. Cartas como Deprive e Tragic Lesson agora quase não fazem mais sentido em suas composições. Os principais afetados neste grupo foram o MonoU Delver, o UB Next Level Drops e o UR Skred. Todos tiveram principalmente o late game prejudicado com a falta do lock que as cartas supracitadas proporcionavam. Adicionalmente, o motor de card advantage que Mystic Sanctuary e Tragic Lesson permitiam, também foi extindo. Nesse ponto, a melhor alternativa é buscar uma outra forma de, pelo menos, manter o card advantage no mid game para que os arquétipos não fiquem muito prejudicados contra aggros e possíveis Trons em uma nova roupagem. 

A princípio, a escolha da comunidade foi Frantic Inventory. É uma escolha que leva à listas similares as que apareciam antes do lançamento de Throne of Eldraine. Na época, estas listas utilizavam Accumulated Knowledge, que recentemente foi subjugada pelo Inventory. A nova carta, lançada em Core Set 2021, permite que o jogador, de forma escalonada, gere card advantage sem auxiliar o card advantage do oponente, como sua irmã mais velha AK. 

Outra escolha que pode ser famosa daqui pra frente, é Exclude, ainda no contexto do card advantage. Permitir um counter em uma criatura, que não é algo atípico para o Pauper, e repor a carta com uma compra, é algo muito coerente para essas listas que abusam das estratégias Tempo. 

Cartas como Soul Manipulation podem também estrelar em arquétipos como o UB Next Level Drops, com efeitos similares ao do Exclude

Já no UW Familiars, não há muito o que pode ser feito. Mais uma vez um arquétipo combo acaba pagando pelos pecados de outros arquétipos no metagame. O mais lógico agora seria voltar a listas como as que existiam antes do lançamento de Throne of Eldraine, que eram basicamente as mesmas com a exceção de que utilizavam mais counters e algumas mais cantrips, além do Prosperous Pirate que permitia mecânicas de mana infinita. 

O Mystic Sanctuary era como os pulmões do arquétipo. Era possível “respirar” com mais facilidade quando algumas interações possibilitavam alguns “stalls”, que dava tempo para o arquétipo se preparar para um combo no late game. O terreno ainda era um bom substituto à Mnemonic Wall, em caso de sua ausência, e possibilitava um combo mais cedo com menos recursos.

O “coração” do arquétipo ainda vive. Ainda temos acesso aos Sunscape Familiars, ao Ghostly Flicker, e a card advantage como Mulldrifter, mas a falta de Mystic Sanctuary realmente afetou bastante o arquétipo e é possível que os jogadores menos assíduos a lista acabem por deixá-la de lado daqui para frente.

Assim, resumidamente, o problema do card advantage pode ser contornado, mas a falta da recursão não. E esse é de fato o objetivo da WotC com esse banimento. As mecânicas recursivas não são algo historicamente bem vistas pela empresa, e unidos ao “feedback negativo” da comunidade a esse tipo de interação, acredita-se que dificilmente algo assim possa ser substituído, ou até mesmo retorne no futuro.


Prospecções

Com todas as mudanças citadas, como será que o metagame se comportará daqui para frente? Será que teremos mudanças positivas o suficiente como os jogadores defensores dos banimentos esperavam? Vamos tentar analisar!


Tron

O primeiro a ser citado é o Tron, mas, vou ser breve dessa vez. Já exploramos as possibilidades de substituição ao Expedition Map, e ao analisarmos, vemos que tem grande possibilidades do Tron se manter no metagame por mais algum tempo. Talvez, inicialmente, o arquétipo sofra uma baixa na popularidade, que é comum após banimentos. Mas acredito que, com o passar do tempo, e com a execução de mais testes por parte dos jogadores, o arquétipo se mantenha como um dos melhores do formato.

Variantes Ux

Tentarei ser breve aqui também, mas precisamos comentar alguns pontos, visto que o metagame em boa parte gira em torno destes arquétipos.  

Mesmo com as devidas modificações, não acredito que estes arquétipos façam frente ao Tron nesse novo metagame. Sem acesso as recursões que Mystic Sanctuary possibilitava, recaímos aos jogos que existiam antes do lançamento de Throne of Eldraine. Eventualmente, os Ux (UR Skred, MonoU Delver, UB Next Level Drops) ficam escassos de recurso, e o Tron, com interações retroalimentáveis, acaba por resistir ao mid game e dominar o late game com Mnemonic Wall + Pulse of Murasa + Ghostly Flicker/Ephemerate. O jogador será pressionado a execução de um Ninja of the Deep Hours cedo para manter o card advantage, ou um Delver of Secrets para um early game agressivo.

Assim, acredito que a queda de popularidade seja suficiente para dar espaço a arquétipos aggro, que além de terem jogos relativamente bons contra os Ux, tem agora mais chances de vitória contra o Tron.

Variantes Boros

Prismatic Strands | Cordões Prismáticos - Magic: the Gathering MTG

As variantes do Boros são sempre o peso do outro lado da balança das variantes Ux. É possível que, na queda de popularidade dos Ux, e no aumento de popularidade dos aggros, as variantes do Boros (Monarch e Bully) passem a aparecer com mais frequência. Comento com regularidade nos artigos do nosso site que o Boros é um arquétipo muito forte e não deve ser subestimado. Para a sua ascensão, basta a queda dos Trons. Se os Trons se mantiverem, mas as variantes azuis caírem para dar espaço aos aggros, os Boros também poderão disputar pódio com os Trons facilmente. 

Como eu disse, o arquétipo é forte, o branco e o vermelho são ótimas cores para sideboard e a recursão entre as criaturas com ETB e os artefatos mantém o ritmo do baralho, sem contar a existência de Palace Sentinels.

Stompys, Affinitys, RDWs e Burns

Com exceção do Burn, que continua tendo jogos complicados no pós-side contra a maior parte do metagame, acredito que todos os outros devem sofrer um aumento em popularidade. Com o Tron mais lento, os aggros tendem a ter matchs melhores contra o mesmo, e assim serem mais procurados pelos jogadores. 

Goblin Grenade | Granada Goblin - Magic: the Gathering MTG

Os RDWs/Goblins principalmente podem vir a subir mais ainda em popularidade, assim como o Stompy que já vinha sendo muito popular entre os jogadores nos últimos dois meses.

Vale ressaltar que os jogos desses arquétipos contra o Boros não são muito favoráveis. Assim, tudo vai depender do quanto o Tron vai ser manter em popularidade, que deve ser inverso a popularidade dos Boros, dando brechas para que esses aggros voltem com mais força.

BW Pestilence e MonoB Midrange

 Ambos os arquétipos tem jogos desfavoráveis contra o Tron, principalmente o MonoB Midrange. Assim, acredito que estes voltem as paradas apenas se os aggros subirem para lidar com os Trons. 

Não há muito o que ser dito. Como são arquétipos mais lentos, a perda de velocidade do novo Tron não deve ser algo que impacte positivamente a forma de jogo destes arquétipos. 

A queda na popularidade dos Ux tão pouco faria diferença para um movimento positivo, visto que os jogos contra Ux normalmente são favoráveis para essas variantes pretas.

Assim, desacredito em popularidade para esses arquétipos, ao menos no curto prazo.

MonoG Walls Combo

And after all…

Esta é a hora desse arquétipo brilhar! Não pela queda de consistência do Tron, mas pela possível redução no número de Ux no metagame. Com menos anulações e remoções, e mais aggros e midranges, esse combo tende a ter um pouco mais de espaço para ser explorado. Resta saber se a sua difícil manipulação no MOL terá agora menos peso na escolha da comunidade.

UW Familiars

Esse é um arquétipo que me gera dúvidas. Perdeu-se consistência, mas não o “coração” do arquétipo. A queda nos Ux favorece o surgimento de combos, e a alta nos aggros também deve impactar positivamente esse tipo de arquétipo. É difícil dizer agora como o metagame deve se comportar, nesse caso precisamos esperar os acontecimentos de um futuro próximo antes de fazer uma previsão mais assertiva.

Opinião pessoal: Acredito que o arquétipo deve ficar um tempo na geladeira até que uma nova fonte de consistência surja para facilitar a execução do combo.


TL;DR

O Tron recebeu modificações, mas assumiu a perda de velocidade e consistência e deve tentar contornar essa falta de outra maneira, mantendo-se no metagame. Já os Ux perderam a principal fonte de recursividade, que garantiam matchs mais favoráveis contra Tron. O mesmo ocorreu com o UW Familiars que agora conta com menos fontes de recurso e consistência para a execução das suas jogadas, podendo ficar um tempo em baixa. Com isso, variantes Boros e aggros mais rápidos devem subir em popularidade, o que abre espaço para a entrada de alguns combos como o MonoG Walls Combo no formato. 


Conclusão

É isso pessoal, espero ter conseguido levar até vocês alguns insights sobre o metagame e os impactos que esses banimentos devem causar. 

Concorda? Discorda? Deixe seus comentários aqui, no Facebook ou no Instagram! Comente com os amigos pois a sua propaganda é sem dúvida de suma importância para continuarmos trazendo artigos cada vez melhores para vocês!

Nos vemos no próximo artigo!

Até breve!

Fontes:

[1] https://magic.wizards.com/en/articles/archive/news/july-13-2020-banned-and-restricted-announcement-2020-07-13?%3Edsf


Álvaro França

Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal Fluminense, trabalha como cientista de dados no mercado de energia e joga Magic:The Gathering desde 1998, com ênfase no formato Pauper desde 2009. Aventurou-se em vários card games e demais jogos de estratégia durante a vida e acumulou largo conhecimento na teoria e prática desse tipo de jogo.

1 comentário

Metanalysis S01E06 - Julho de 2020 - Mind Gears · julho 29, 2020 às 15:37

[…] Para quem perdeu, tivemos dois artigos no nosso blog a respeito desses banimentos, um antes e um depois dos banimentos ocorrerem. Caso tenha alguma dúvida a respeito disso, dá uma conferida […]

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