Metanalysis S02E04 – Abril de 2021

Publicado por Álvaro França em

Metanalysis S02E04

Saudações jogadores!

Chegamos à hora mais esperada do mês! O Metanalysis está de volta trazendo o melhor da análise do metagame do Magic Online! O mês de abril de 2021 está cheio de novidades e surpresas. Então, vem comigo conferir!

Previously on Metanalysis…

No artigo anterior, analisamos o metagame do mês de março. Conseguimos observar um metagame ainda muito orientado a aggros, com arquétipos como Burn, GW Auras e Elves mostrando resultados. Além disso, vimos também a ascensão dos arquétipos Cascade, sobretudo o Jund Cascade/Midrange. Este mostrou um aumento considerável em procura, e parecia ser uma das opções mais consistentes para a maioria dos jogadores que pretendiam jogar o Super Qualifier no dia 3 de abril. E claro, não podia faltar o Tron, que ao final do mês mostrou um incremento considerável em procura, que provavelmente também foi motivado pelos jogadores que pretendiam jogar o Super Qualifier citado anteriormente e precisavam treinar com o arquétipo.

Finalizamos o artigo fazendo, como de praxe, previsões para o mês de abril.  Apostamos em uma queda inicial para o Tron, seguido de uma possível retomada a partir do segundo evento ou segunda semana. Apontamos ainda uma queda em presença também para o UR Skred, com uma perspectiva de retomada um pouco mais demorada do que a do Tron. 

Em contrapartida, estimamos uma subida de arquétipos como o Burn e Boros Bully no início do mês, com grande potencial de permanecerem em alta. 

Finalizamos falando do Jund Cascade e de como o seu ganho de popularidade abriria portas para que esse arquétipo fosse mais explorado em abril.

Vamos agora dar uma olhada no desenvolvimento do metagame do mês de abril e averiguar se as nossas previsões foram assertivas ou não? Às análises!


Abril de 2021

Como de costume, vamos iniciar com o levantamento dos números resumidos do mês. Tivemos um total de 9 eventos (8 Challenges e 1 Super Qualifier), totalizando cerca de 719 inscritos e aproximadamente 2180 jogos! Contamos ainda com a presença de 39 arquétipos diferentes, sendo cerca de 70% concentrado nos 10 mais presentes!

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Metagame por quantidades – Dados provenientes do Challenge Project [1]

Iniciando pelo top 10 em presença (primeira tabela e primeiro gráfico), temos uma surpresa. Depois de vários meses consecutivos com o Tron em primeiro lugar, vemos um novo arquétipo tomando o seu trono. Conforme comentamos no mês passado, a crescente fama do Jund Cascade fez com que esse arquétipo fosse mais procurado em março. Com isso, a possibilidade de aumento em sua procura em abril também aumentou. E foi exatamente isso que aconteceu! Conforme previsto, este arquétipo subiu em procura, o suficiente para tomar a coroa do, até então, arquétipo mais presente nos últimos meses. 

Muito disso, claro, se deu pela realização do Super Qualifier no dia 3 de abril. O evento contou com 239 inscritos, o equivalente a aproximadamente quatro Challenges convencionais.  Isso com certeza elevou toda a presença no metagame, assim como da última vez que tivemos um Super Qualifier em um mês. 

Vocês podem estar se perguntando se os números mudariam muito caso o Super Qualifier não fosse considerado nos nossos números finais. Por não ser um evento de calendário fixo como o Challenge, e por agregar muitos jogadores de outros formatos, o questionamento faz sentido. E cá está a resposta:

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Dados do mês de abril de 2021, excluindo-se o Super Qualifier do dia 3.

Percebemos que, apesar da mudança nas quantidades de cada arquétipo, o nosso top 10 em presença continuou com a mesma formação. De fato, o Jund Cascade acabou passando o Tron nesse mês, mesmo se desconsiderássemos a grande quantidade de jogadores inscritos no Super Qualifier.

Retornando às análises por quantidade, vemos o Tron, agora em segundo lugar, seguido do UR Skred e, novamente neste mês, do Burn. Cada um desses arquétipos caiu apenas uma posição com relação ao mês anterior, confirmando parte das nossas expectativas de um metagame mais orientado a aggros. O Burn é realmente uma surpresa de vermos em quantidades maiores por três meses consecutivos. Porém, seu aproveitamento (percentual de vitórias) traz uma informação que pode dar fim a essa maior representatividade, e falaremos mais disso adiante.

A Hora do Pauper – Boros Bully | Artigos LigaMagic | LigaMagic

Os últimos pontos de destaque dessa parte, são o Boros Bully, UB Faeries e MonoG Walls Combo, que se mantiveram também muito presentes nesse mês. De fato, parece que o metagame buscou um ponto de equilíbrio. Assim, é comum vermos mais rostos conhecidos em questão de representatividade.

Tanto o Boros Bully quanto o MonoG Walls Combo tem um bom desempenho em metagames mais direcionados a aggros. Claro que, para o Boros Bully, a quantidade de Junds e outros arquétipos que utilizam das cartas com Cascade, acaba sendo uma pedra no sapato. Ouso dizer que caso o metagame estivesse menos voltado a esses arquétipos, o Boros Bully teria um desempenho melhor do que o demonstrado aqui.

Claro que outros fatores poderiam interferir, como por exemplo, um aumento na quantidade de Trons. Isso faria com que o Boros Bully mantivesse-se onde está ou até tivesse um desempenho pior. Mas no geral, o arquétipo parece muito bem posicionado agora e promete manter-se ainda mais um tempo com bons resultados. O mesmo vale para o Stompy, que é um aggro linear mas com mágicas flexíveis, e que ganhou uma boa atualização com a chegada de Strixhaven, o Bayou Groff, apelidado carinhosamente de “Pauper Goyf”. 

Uma outra carta muito importante também surgiu com o lançamento da nova coleção, mas vamos comentar a respeito disso mais adiante.

Instagram photo by Diego Lizarazo • May 25, 2016 at 6:48am UTC |  Personagens de rpg, Rpg, Personagens

Vamos agora à análise do ponto de vista do percentual de vitórias (segundo gráfico). Vemos que o arquétipo com melhor aproveitamento do mês foi um que sequer estava tão presente. Estamos falando do Elves, que mais uma vez mostrou que as estratégias “swarm” e a flexibilidade de ter acesso à várias cores, ainda faz o Elves ser um arquétipo muito forte. Para os que acreditavam que esse arquétipo desapareceria depois do lançamento de Fiery Cannonade (como eu mesmo), fica aí essa surpresa. Mas, de fato, como comentado no Metanalysis de fevereiro, em um metagame mais voltado para aggros, o Elves acaba tendo certa vantagem.

Apesar da pouca aparição e da presença não muito alta, o arquétipo ainda conseguiu assumir 3 posições em top 8, e mais duas posições de top 1, sendo uma na primeira quinzena do mês, dia 11 de abril, com um ótimo resultado de 9-1, perdendo apenas uma rodada no suiço, e outro no dia 18 de abril, com outro ótimo resultado de 9-0.

Cast Down | MTG Arena Card Library

Em segundo lugar, quase que empatados e coladinhos com o Elves, estão o UB Faeries e o Affinity. O UB Faeries já venho comentando a um certo tempo em nossos artigos ser o midrange azul com melhor performance e melhores ferramentas do momento. De fato, comparando seu percentual de vitórias nominal (i.e. sem a correção pelo Additive Smoothing) com o de outros midranges azuis como UR Skred e o UB Delver, em todos os meses deste ano, podemos ver que o UB Faeries vem tendo resultados bem melhores que os demais. O próprio UR Skred, mesmo com uma quantidade maior de jogos, acaba tendo um aproveitamento pior.

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Performance de Midranges Azuis de Janeiro a Abril de 2021. Perc. de Vitórias Nominal.

Já a respeito do Affinity, temos um arquétipo que possui muitos altos e baixos. A presença de sideboard potentes contra a lista acaba inibindo um pouco a sua performance. Mas basta que os jogadores se distraiam um pouco, e que a quantidade de Gorilla Shamans fique menor, para que o Affinity possa novamente mostrar sua potência. 

Nos últimos meses, principalmente desde o início da pandemia do Covid-19, a quantidade de jogadores no Magic Online cresceu bastante. Isso fez com que uma maior quantidade de jogadores investisse no formato e tentassem listas menos ortodoxas. Assim, várias versões do Affinity surgiram com o tempo, com soluções de pronto para lidar com o metagame do momento. Até pouco tempo, as listas Jeskai eram as mais populares, e possuíam uma orientação um pouco “mais midrange” do que as listas convencionais. Agora, temos uma nova versão mostrando suas caras, utilizando da colorpie Grixis (URB), do antigo Disciple of the Vault, e da recém inclusão ao formato Makeshift Munitions. Além disso, ainda surgiram timidamente algumas listas com a nova carta de Strixhaven, Resculpt. Enfim, são muitas versões diferentes, parecidas entre si, mas com linhas de jogo muito distintas. E foi assim que o Affinity conseguiu um dos melhores aproveitamentos dos últimos meses.

Em terceiro/quarto lugar, vemos o RG Cascade, com uma performance bem melhor do que a vista nos meses anteriores. Sendo contrário ao que observamos anteriormente, o arquétipo agora conta com uma quantidade bem menor em procura (provavelmente motivada pela fama do Jund Cascade), mas com uma performance bem melhor. 

Não podemos deixar de comentar a respeito de dois arquétipos que já apareceram no nosso top 10 em presença, mas que tiveram aproveitamentos ruins o suficiente para não aparecerem no top 10 em percentual de vitórias. Estou falando do Jund Cascade e do Burn.

O Jund, conforme já citado, ganhou muita fama desde o final do mês passado. Os jogadores começaram a olhar o arquétipo com mais carinho e entender que, devido ao acesso a três cores, poucos eram os jogos que eram realmente totalmente desfavoráveis ao Jund. Esse movimento já havia ocorrido antes nos metagames brasileiros, sobretudo no de eventos independentes. Contudo, demorou um pouco mais para ter a confiabilidade necessária para o baralho ser abraçado pelos jogadores mais assíduos dos Pauper Challenges.

Contudo, a fama não representou seu aproveitamento. Mesmo desconsiderando todos os jogos realizados no Super Qualifier (que possuía jogadores de outros formatos, com menos conhecimento sobre o Pauper e que poderiam causar distorções nas vitórias do arquétipo), o arquétipo mostrou um percentual de vitórias que deixou muito a desejar. Chegou a ser pior que o próprio Burn, que é o deck mais presente com pior aproveitamento que tivemos até então. Esse é um problema comum de arquétipos que fazem “muita coisa diferente”. Quando não se tem um excedente de mana, como o Tron possui por exemplo, é complicado encaixar as mágicas certas na hora necessária. Em um metagame tão diverso quanto o que estamos vendo nos últimos meses, fica realmente um pouco difícil vencer a variância e chegar a resultados mais consistentes.

Não me entendam mal, o arquétipo é de fato muito bom. Tem acesso a muitas ferramentas que outros arquétipos acabam falhando em ter nesse formato. Mas trabalhar três cores no pauper é uma tarefa complicada. Muitas das lands do Jund entram em jogo viradas, o que faz com que o arquétipo reaja tardiamente a outros aggros mais rápidos como o Stompy, o Burn, e até outros arquétipos um pouco mais flexíveis como o Affinity e o Boros Bully.

Além disso, algumas vezes você vai inevitavelmente “perder para a sua base de lands”. Isso significa que inevitavelmente, em algum momento, você vai falhar em ter as cores corretas em jogo para realizar a mágica necessária para o momento. As dual lands de Kaldheim e as Thriving Lands de Jump-Start ajudaram bastante nessa missão de correção das cores, mas em um formato onde land destructions como Rancid Earth, Thermokarst e até Cleansing Wildfire são relativamente presentes, manter o controle das suas lands e das cores necessárias pode não ser uma tarefa fácil, principalmente em um arquétipo mais lento.

Voltando agora ao Burn, vemos que o seu desempenho nesse mês foi bem pior do que o dos meses anteriores. Esse pode ser um movimento de regressão a média [2], já que é muito mais comum o Burn ter resultados medianos do que equiparados com outros arquétipos tier 1 do formato. Pode também ser, em conjunto, uma resposta natural de um metagame que começa a mudar seus eixos e desenhar-se em uma nova perspectiva. De toda forma, ao que tudo indica, mesmo com a vitória no evento do dia 17 pelo brasileiro murilobds, o Burn pode estar novamente saindo de cena. Se for isso mesmo, até logo, e obrigado pelos peixes, velho amigo!

Para finalizar essa parte, gostaria de comentar a respeito de um arquétipo que não apareceu em nenhuma das citações acima, mas que merece um pouco de atenção neste mês. Estou falando do recém chegado First Day Combo! 

No decorrer dos spoilers de Strixhave, uma carta em específico chamou a atenção dos jogadores. A First Day of Class implementou de forma coerente não só a mecânica Learn no formato Pauper (quando ainda não sabia-se quais as Lessons estariam disponíveis no formato), mas também um efeito que parecia encaixar em vários arquétipos. Especulou-se seu uso em arquétipos como Elves, Boros Bully e até o MonoG Walls Combo. Mas seu brilho de fato foi no First Class Combo. 

O arquétipo é basicamente um BR, majoritariamente composto por cartas de goblin, e que possui o combo entre Skirk Prospector, Putrid Goblin e a nova carta de Strixhaven. O arquétipo propõe a interação semi-infinita, na qual várias manas são geradas, sacrificando o Putrid Goblin e retornando-o para o battlefield com sua habilidade Persist, unida com o marcador +1/+1 que First Day of Class fornece, tornando possível gerar-se várias manas vermelhas e finaliza o jogo com cartas como Flamewave Invoker. Desde sua entrada na segunda quinzena do mês, o arquétipo mostrou diversas versões, pilotadas por diversos jogadores diferentes. Chegou a fazer top 8 nos dois últimos eventos do mês, e emplacar diversos 5-0 nas Pauper Leagues do Magic Online. No circuito  independente de eventos brasileiro, mostrou diversas versões e diversos bons resultados.

Em teoria, o combo é frágil, como a maioria dos combos do formato. Mas a flexibilidade em poder-se jogar com uma postura mais aggro e finalizar o jogo mesmo na ausência do combo, acabou tomando a atenção dos jogadores e ganhando fama. 

É possível que no decorrer do próximo mês tenhamos ainda mais presença desse arquétipo, então, vamos ficar de olho! 

Resumidamente, o metagame continua muito diverso. Tivemos seis arquétipos diferentes como campeões dos nove eventos deste mês, e o único arquétipo que teve uma presença muito marcante em top 8s foi o Tron. Veremos mais sobre isso adiante, mas agora o importante é entendermos que o metagame ainda está muito orientado a aggros, com Stompy, Boros Bully, Affinity, GW Auras e Elves fazendo bons resultados e contracenando com combos como o First Day Combo e o MonoG Walls Combo. 

O Tron, antes temido, odiado e crucificado, parece estar tímido e sem forças para criar tantos resultados. Continua no topo junto aos midranges azuis e Cascades, mas vem perdendo força cada dia mais. 

Podemos entender tudo isso melhor analisando os números abaixo.

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É possível ver que ainda há uma preferência por aggros, e que não só o número de controls (que em grande maioria são Trons) vem reduzindo, como o número de combos aumentou na segunda quinzena do mês. Boa parte disso deve-se à chegada do First Day Combo, mas não podemos esquecer do MonoG Walls Combo, que chegou a ganhar os dois últimos eventos do mês.

A diferença entre esses números e os analisados no mês anterior também é muito pequena, o que mostra uma certa estabilidade no metagame como um todo. Como citado inúmeras vezes nesse artigo, o metagame ainda está orientado a aggros, mas alguns movimentos atípicos já mostram que as coisas estão se movendo e que, em breve, teremos algumas mudanças. Comentaremos mais sobre isso ao final deste artigo.

Por fim, sobre as previsões que fizemos no mês anterior, parece que fomos assertivos mais uma vez! Tivemos de fato uma queda no Tron e no UR Skred no início do mês, uma ascensão do Burn e do Boros Bully (que já se demonstravam capazes de lidar com o metagame), além do aumento expressivo nas quantidades do Jund Cascade. Novamente, mostramos que nossa metodologia parece estar bem calibrada e que o metagame movimentou-se de acordo com o que esperávamos!

Vamos agora analisar o aproveitamento em top 8 dos arquétipos mais presentes.


Taxa de Conversão de Tops

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Incluí nessa análise não só todos os arquétipos presentes no nosso top 10 em presença, mas também o First Day Combo, para que possamos manter o registro e acompanhar o desenvolvimento desse arquétipo.

Pela taxa de conversão em top 8s, logo de cara, vemos que o próprio First Day Combo foi o arquétipo com melhor aproveitamento. Mas isso deve-se não apenas ao seu crescente potencial e ao poder do seu combo. Como este é um arquétipo que não existia até então, muitos jogadores foram pegos de surpresa ao jogar contra o mesmo. Alguns não sabiam exatamente como se portar em uma partida contra o arquétipo, não o conheciam ou falharam na confecção de um sideboard que fosse eficaz. Assim, é provável que esse resultado esteja contaminado por situações de jogo que, no longo prazo, não devem ocorrer. 

Seguindo, temos empatados o Affinity, o Boros Bully e o Tron. Os dois primeiros de fato estão bem posicionados no metagame atual. O Tron também não pode ser esquecido, nem subestimado. Mas a sua quantidade bem superior em presença acaba criando um facilitador para conseguir mais posições de top 8. 

Olhando agora os decks com piores taxas de conversão de top 8s, temos primeiro o UR Skred, que apesar de ter mantido a presença deste mês similar a do mês passado, não conseguiu chegar muito longe nos eventos. Em seguida temos o Jund Cascade, que realmente deixou a desejar. Eu particularmente esperava bastante do arquétipo, mas é compreensível um aproveitamento ruim, visto a diversidade e a variância que o formato oferece no momento.

Olhando agora para a taxa de conversão em top 1s, vemos que, dos arquétipos apresentados, o MonoG Walls Combo foi o arquétipo com melhor aproveitamento em top 1s. Na realidade, o arquétipo com melhor aproveitamento nesse quesito foi o Elves, ganhando do MonoG Walls Combo por 1%. Mas como o mesmo não conseguiu alcançar quantidades suficientes para análise, vamos manter o nosso foco nos 10 arquétipos dispostos na tabela.

Em segundo temos o UB Faeries, que novamente mostra resultados bem consistentes e bem sólidos com relação ao metagame como um todo. O arquétipo tem mantido boas quantidades, mantido um bom percentual de vitórias, e também mantido seu aproveitamento em resultados de top 8 e top 1. De fato, o arquétipo tem ferramentas excelentes para lidar com esse metagame. Tem acesso a Hydroblast, Ninja of the Deep Hours, Snuff Out, Gurmag Angler, enfim, as melhores criaturas e remoções do formato. É um dos arquétipos em que eu aposto nessa possível mudança que está para vir no metagame.

Com o pior aproveitamento em top 1s do mês temos, empatados, o Jund Cascade e o Tron. Ambos acabaram sendo uma surpresa, principalmente o Tron que costumava driblar bem os metagames orientados a aggros. 

Com isso, podemos estipular então que o Jund Cascade foi o arquétipo com o pior aproveitamento geral do mês. Teve grandes quantidades, mas teve um percentual de vitórias baixo, e um aproveitamento de resultados também muito ruim. É realmente uma pena! Será que o Cascade é realmente ainda um pilar do formato?

Vamos agora para as principais diferenças entre os meses!


Março x Abril

Pelos números, podemos ver que os maiores aumentos em presença foram para o já citado Jund Cascade, e para o Stompy. Esse último, como também já citado, ganhou uma nova ferramenta com o lançamento de Strixhaven. Com a entrada de Bayou Groff nas listas, e a reformulação utilizando cartas como Young Wolf e Khalni Garden, o arquétipo ganhou um pouco mais de fama, e, consequentemente, uma procura maior.

As maiores variações negativas em presença foram dadas ao MonoG Walls Combo e ao Burn. O MonoG Walls Combo creio ter apenas alternado nas escolhas dos jogadores e não teve uma queda motivada por performance. O Burn, em contrapartida, pode ter sofrido essa queda pois os próprios jogadores sabem que, por ser um arquétipo muito linear, eventualmente o Burn pode voltar a encarar um metagame mais preparado e mais agressivo contra sua estratégia.

Nas diferenças em performance, vemos que os com maior variação positiva são o Affinity, e o Boros Bully. 

O Affinity, como já citado, recebeu uma série de novas versões com ferramentas diferentes, visando conseguir lidar com os potenciais sideboards do metagame. Além disso, a quantidade de arquétipos que utilizam vermelho e, consequentemente, Gorilla Shaman de side diminuiu nos últimos meses, o que pode criar um motivador para o retorno desse arquétipo. Mas assim como o Burn, o Affinity sofre demais com os sideboards do formato. Então, é provável que o seu momento de ascensão não dure por muito tempo.

Já o Boros Bully vem oscilando em presença e em performance, mostrando certa estabilidade em seus resultados. De fato o arquétipo está bem posicionado e acredito ter ainda algum tempo de bons resultados pela frente. Sua estratégia é flexível, tem acesso às duas das cores mais fortes para sideboard do formato, e tem recebido uma série de novas ferramentas que ajudam na estabilidade da lista. 

Com as piores performances do mês, temos o Jund Cascade e o Burn. Já discutimos exaustivamente neste artigo os motivadores desses números, então vou tentar não ser repetitivo nessa parte. Vamos apenas ter em mente que o Jund Cascade acabou sendo uma decepção para os jogadores, e o Burn pode estar regredindo a sua média e voltando à performance que tinha até o fim do ano passado.

Para finalizar nosso artigo deste mês, vamos tentar levantar algumas possibilidades de comportamento dos arquétipos no mês seguinte.


Previsões para Maio

Analisando os gráficos, e considerando a série de resultados ruins que o Jund Cascade teve no mês de abril, é improvável que o mesmo retome a presença que tinha entre o fim do mês de março e o meio do mês de abril. Dessa forma, podemos considerar que este arquétipo sofrerá uma queda em presença pelo menos no início do próximo mês, ficando condicionado ao movimento do metagame para poder retomar presença.

O mesmo vale para Tron. Cada vez mais o arquétipo vai caindo em performance, em resultados, e vai perdendo o brilho que teve anteriormente. Mesmo com a queda recente, é improvável que o Tron retome a sua presença em um metagame repleto de novos combos e midranges cheios de disruptions. Assim, acredito que o Tron também manterá números baixos nesse início de maio. Talvez não caia muito em presença, mas certamente não terá uma retomada.

O UR Skred e o UB Faeries têm frequências de alternância parecidas, mas amplitudes bem distintas. Enquanto o UB Faeries tende a manter números muito próximos, com possibilidades de picos eventuais (como o ocorrido no final deste mês), o UR Skred apresenta altas e baixas muito acentuadas, e normalmente não alcança resultados muito bons. Dito isso, acredito que o UR Skred deve cair em presença nesse início de maio, ou pelo menos manter números mais baixos. Enquanto isso, o UB Faeries deve fazer aparições mais volumosas, com resultados mais expressivos, respeitando sua frequência maior e com amplitudes similares às já vistas neste mês de abril. 

Por fim, o Boros Bully não parece ter grandes problemas nesse metagame ainda, e visto seus últimos movimentos, é bem provável que a sua presença aumente nesse início de maio, ou pelo menos caia em percentuais pequenos.


Conclusões

Mais uma vez observamos um metagame bem orientado a aggros. O Jund Cascade acabou sendo uma decepção nesse mês, mesmo tomando o trono de arquétipo mais presente do gigante Tron. O Boros Bully segue contornando as ameaças e galgando bons resultados, enquanto o UB Faeries permanece na espreita esperando a oportunidade certa para ressurgir.

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Nos vemos no próximo artigo!


Fontes

[1] Dados retirados do Challenge Project.

[2] “Regressão à Média” – Wikipedia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Regress%C3%A3o_%C3%A0_m%C3%A9dia


Álvaro França

Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal Fluminense, trabalha como cientista de dados no mercado de energia e joga Magic:The Gathering desde 1998, com ênfase no formato Pauper desde 2009. Aventurou-se em vários card games e demais jogos de estratégia durante a vida e acumulou largo conhecimento na teoria e prática desse tipo de jogo.

1 comentário

Metanalysis S02E05 - Maio de 2021 - Mind Gears · junho 7, 2021 às 02:47

[…] mês passado, vimos novamente um metagame muito orientado a aggros. Arquétipos como Boros Bully, Affinity, e […]

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